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Opinião - Edição 538 - Jornal NippoBrasil

Resultados das relações comerciais Brasil-Japão em 2009

Alexandre Ratsuo Uehara*

A crise que envolveu o mundo em 2009 também afetou as relações econômicas nipo-brasileiras, particularmente na área de comércio exterior, que apresentou uma queda de 25,4% na corrente de comércio. Em 2009, registrou-se uma redução das exportações totais do Brasil da ordem de 22,7% e 26,1% nas importações totais, refletindo a recessão enfrentada pela economia global. As relações comerciais com o Japão também sofreram influência, as exportações brasileiras caíram 30,2%, e as importações, 21,1%. Dos 100 primeiros produtos mais exportados ao mercado japonês, 64 apresentaram diminuição dos valores, refletindo de maneira geral a queda nas importações japonesas que foi em torno de 29%, no período de janeiro-novembro de 2009.

Os produtos mais exportados ao Japão foram os mais afetados, entre os cinco primeiros em valores, quatro apresentaram resultados negativos em 2009, com exceção de grãos de soja (mesmo triturados), quinto produto mais exportado, que obteve um crescimento de 14,36%, atingindo US$ 245,8 milhões. Todos os demais tiveram redução nas exportações: minérios de ferro não aglomerados e seus concentrados (US$ 1031,0 milhões) queda de -28,98%, pedaços e miudezas de galos/galinhas (congelados) (US$ 611,1 milhões) perda de -47,27%, alumínio não ligado em forma bruta (US$ 389,6 milhões) redução de -27,97% e café não torrado, não descafeinado, em grão (US$ 288,7 milhões) -2,96%.

O dado positivo foram os resultados dos manufaturados, dentre os quais o destaque foi a venda de aviões, que obtive um crescimento de 610% em 2009 em relação a 2008. O primeiro jato Embraer 170 foi entregue para maior empresa área da Ásia, Japan Airlines, em outubro de 2008, outros sete, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio, foram entregues em 2009. O cenário promissor de ampliação das exportações de aviões para o Japão foi obscurecido pelo anúncio da concordata da JAL, em 19 de fevereiro deste ano, pela Enterprise Turnaround Initiative Corp. (Etic), entidade japonesa que coordena a recuperação de empresas. Contudo, há análises otimistas, que veem nessa situação difícil da empresa japonesa, boas perspectivas, pois, em seu projeto de reestruturação, planeja-se aposentar todos os seus 37 Boeings 747-400 e todos os seus MD-90 para trocá-los por aviões menores, que poderão ser da Embraer.

Além dos aviões outros quatro produtos que tiveram maior aumento das exportações foram edredons, instrumentos para controle de velocidade de motores, motocompressores herméticos (capacidade<4.700 frigorias/hora) e outros aminoácidos e seus ésteres e sais, com aumentos, respectivos, de 366,1%, 155,2%, 149,0%, 118,8%.

Para 2010 há sinais positivos, pois as exportações brasileiras para o Japão. A reversão da tendência de crescimento constante que vinha sendo apresentada desde 2002 só foi revertida em novembro de 2008, quando atingiu US$ 499,3 milhões, uma queda de 29,1% em relação a outubro desse mesmo ano, quando atingiu US$ 704,5 milhões. O ponto mais baixo foi em fevereiro, quando atingiu apenas US$ 290,2 milhões, mas depois disso, as exportações voltaram a crescer com a percepção de que a crise interna-cional poderia não ser tão longa e por causa de sinais positivos de algumas economias.

A partir de março de 2009, as exportações brasileiras ao Japão apresentaram uma retomada, ainda que instável, da trajetória de crescimento, chegando em dezembro com um volume de US$ 544,1 milhões. O valor ainda é abaixo do valor exportado em outubro de 2008, mas pode ser um sinal de que, este ano, o Brasil pode conseguir obter resultados mais positivos nas suas relações comerciais com o Japão.




* Professor de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco
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