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Opinião
- Edição 546 - Jornal NippoBrasil
Cenário para investimentos: cardápio interessante
Alberto Furuguem*
Os investimentos
em renda fixa permanecem, ao que tudo indica, como excelente opção
no Brasil para aqueles que buscam segurança, liquidez e algum ganho
real.
É praticamente
certo que, no Copom de abril, a taxa básica de juros retome uma
trajetória de alta, o que contri-buirá para preservar um
ganho real nas aplicações de renda fixa em torno de 4% ao
ano ou mais, valor que, na comparação internacional, é
atraente.
Como regra
geral, os papéis de renda fixa emitidos no mercado brasileiro,
sejam pelo setor público (Tesouro Nacional) sejam por instituições
financeiras, são de baixo risco. Isso porque, a despeito de um
desequilíbrio fiscal ainda não plenamente equacionado, estamos
em situação perfeitamente administrável. Nada a comparar,
por exemplo, com os problemas enfrentados pela Grécia e outros
da Zona do Euro. Ao lado disso, as instituições financeiras
brasileiras continuam destacado-se pelo atendimento às melhores
regras prudenciais (capitalização, rentabilidade, baixo
nível de alavancagem), em contraste com o que vimos nos países
desenvolvidos mais atingidos pela crise internacional.
Como há
boa probabilidade de que o processo de alta dos juros se mantenha ao longo
deste ano, depois da reunião do Copom de abril, uma boa opção
estratégica seria os investimentos em papéis de curto prazo.
O mercado de
ações deverá continuar a ser alimentado pelos bons
resultados das empresas, em um cenário de crescimento relativamente
acelerado do PIB brasileiro e de recuperação gradual da
economia mundial (apesar das turbulências oriundas dos problemas
fiscais enfrentados por muitos países).
Os problemas
fiscais/cambiais das economias capazes de provocar abalos no cenário
internacional terão, necessariamente, de encontrar algum tipo de
solução, por uma razão muito simples: um default
capaz de contaminar os mercados globais não interessa a ninguém.
É por isso que acreditamos na continuidade da recuperação
da economia mundial, mesmo com as dificuldades trazidas pelas turbulências,
como a grega.
O mercado imobiliário
brasileiro ainda deverá percorrer um longo caminho, impulsionado
pelo desenvolvimento do crédito, em estágio ainda inicial
no País. Isso não significa que a valorização
dos imóveis (um fato, em muitos mercados locais e regionais) esteja
garantida em todos os segmentos do setor. Os cuidados usuais nesse tipo
de investimento não podem ser esquecidos. O otimismo exagerado,
tipo oba-oba, será sempre de grande risco, como aconteceu no mercado
norte-americano, onde verdadeiros elefantes brancos permanecerão
micados por um longo período.
As aplicações
em moeda estrangeira poderão revelar-se, na atual conjuntura, interessantes.
No Brasil, as contas externas seguem em deterioração, sendo
natural que, em algum momento, possa ocorrer uma correção,
aliás, já em processo, no patamar da taxa de câmbio.
Lá fora, o dólar, depois de passar por desvalorizações
acentuadas frente a outras moedas, poderá inverter sua tendência,
no contexto da própria recuperação da maior economia
do planeta.
Em suma, o
mercado brasileiro deverá continuar a representar um ambiente interessante
para investidores de diferentes preferências, alimentado, este ano,
pelas notícias vindas da campanha eleitoral.

*É economista, consultor com mestrado pela FGV e ex-diretor do
BC
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