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Opinião
- Edição 554 - Jornal NippoBrasil
Copa do Mundo, festas juninas e bondades
Teruo Monobe*
Está
chegando a grande festa que acontece de quatro em quatro anos. As ruas
pintadas em verde e amarelo e as casas cheias de enfeites nas cores do
Brasil mostram que o clima da Copa está já nas mentes dos
brasileiros. Tudo é festa e será maior ainda com as vitórias
que a torcida espera da seleção. Entrar nesse clima é
até fácil, sair talvez seja difícil. Só se
espera apenas que o brasileiro não saia prematuramente.
Por conta da
Copa, como não poderia deixar de ser, a corrida presidencial continua
morna. Mas os políticos em geral já estão trabalhando.
E muito. Talvez estejam contagiados pelo clima de festa. Não bastasse
o festival de bondades do Executivo, são as bondades do Legislativo
que estão assustando os contribuintes. Realmente, o PIB brasileiro
cresce enormemente em tempos de eleição, os políticos
podem provar a premissa.
Também
como coincidência, estão aí as festas juninas. Está
certo que o pessoal do Planalto já não está mais
comemorando como no passado, com toda a pompa e circunstância. Também,
pudera, dançar a quadrilha dá péssima conotação,
depois que o escândalo do mensalão escancarou as portas do
palácio. Vestir-se de caipira para dançar a quadrilha, portanto,
virou brincadeira de mau gosto. Pior ainda, estragou uma festa popular
muito marcante.
O último
pacote de bondades aprovado pelos deputados foi para os funcionários
públicos federais. Os deputados aprovaram projeto de lei que cria
gratificações e dá reajuste a 32.763 servidores federais,
com impacto já em 2010, aumentando em até R$ 1,8 bilhão
a folha de pagamento da União. Curioso é que o valor original
previsto de gastos era de R$ 31,7 milhões... O pacote de bondades
não só contempla aumentos salariais, mas a redução
de jornada e outros benefícios para determinadas classes de servidores.
O detalhe é
que os candidatos a presidente estão falando das intenções.
Não há dúvida que são boas intenções.
Na realidade, eles estão falando o que o público quer ouvir
do candidato. E aí, o ideário é variado. A candidata
Marina da Silva falou em limitar gastos públicos à metade
do PIB. A candidata Dilma Rousseff promete reforma tributária em
100 dias! O candidato José Serra é mais comedido, embora
sonhador, comprometendo-se com o fim do PIS/Cofins.
Como se pode
ver, todos os discursos dos candidatos vão de encontro ao que está
ocorrendo na prática: o comprometimento do governo com gastos hoje
sem nenhuma responsabilidade fiscal. O impacto dos aumentos já
concedidos aos funcionários públicos pelo Executivo deve
inflar a folha dos servidores em aproximadamente R$ 38 bilhões
anualmente. E, se o presidente Lula não vetar o aumento dos aposentados,
então, as contas vão estourar de vez.
Mas os ilustres
candidatos também já falam em criar mais ministérios.
Algumas pastas sugeridas são realmente fruto de mentes prodigiosas.
Criar Ministério da Pequena Empresa realmente é algo inédito
no mundo, pode entrar no Guiness Book. Criar o Ministério da Segurança
Pública seria até aceitável, dadas as circunstâncias
da violência, mas os atuais ministérios não poderiam
cuidar disso? Quem paga tudo isso? E como?
Fica contraditório
falar em cortar impostos, se até mesmo o atual governo já
está alertando a necessidade de novos impostos no próximo
ano, de arrecadar mais, para fazer frente às despesas que estão
sendo comprometidas nesses diversos pacotes de bondades. Pior de tudo
é que se aumenta o contingente de servidores públicos e
não se aumenta a produtividade do funcionalismo. O aumento é
só de despesas. Coisas do Brasil.
Um editorial
econômico do Estadão comenta a deterioração
das contas externas. Não só o déficit preocupa, mas
seu financiamento. Os investimentos diretos não estão entrando
por conta da crise europeia. Com isso, vai ser necessário aumentar
os empréstimos, fazendo que se aumente a dívida externa.
Mas, como estamos no mês de festas juninas, Copa do Mundo e candidaturas,
todas as preocupações parecem se dissipar em um passe de
mágica. O perigo está aí.

*Mestre em Administração Internacional e doutor pela USP
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