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Opinião - Edição 555 - Jornal NippoBrasil

Cenário para investimentos

Alberto Furuguem*

Renda fixa. Os investimentos em renda fixa no mercado financeiro nacional continuam representando excelente opção para aqueles que preferem um “ga-nho garantido”, livre das oscilações que caracterizam as aplicações em outros ativos, como os vinculados ao comportamento das bolsas de valores.

O risco é baixo, diante da robustez do sistema bancário brasileiro, e os juros nominais deverão seguir em trajetória de alta, acompanhando os aumentos esperados para a taxa Selic nas próximas reuniões do Copom.

O juro real (descontada a inflação) deverá continuar positivo (em torno de 4% ao ano) e elevado na comparação internacional.

Ações. Os investimentos em renda variável, particularmente no mercado de ações, sofreram fortes impactos das turbulências vindas da Zona do Euro, mas os “fundamentos” da economia brasileira permanecem francamente favoráveis. Na realidade, as projeções para o crescimento do PIB têm sido revistas para cima, com cenários que admitem crescimento de até 8% este ano. Assim, os balanços das empresas, no que dependa do crescimento da demanda interna, deverão continuar, em geral, favoráveis. Os impactos negativos ficarão por conta, principalmente, da conjuntura internacional, em especial pelo efeito da queda dos preços das commodities, associada à crise na Zona do Euro. Acreditar ou não na recuperação e crescimento das cotações das ações tem muito a ver, neste momento, com o cenário em que se aposta para o comportamento da economia mun-dial. Nesse campo há cenários para todos os gostos: desde os mais catastróficos, que projetam novas e graves recessões globais, até aqueles que continuam acreditando na tendência de recuperação da economia mundial, entre os quais nos incluímos.

Imóveis. A demanda no mercado imobiliário deverá continuar sendo impulsionada pela facilidade de crédito e pela queda na taxa de desemprego. Na maioria dos casos, os preços já subiram bastante, provocados inclusive pelo forte aumento nos preços dos terrenos (entrada de recursos externos foi um dos fatores). O difícil é saber quando irá acontecer algum ajuste nos preços, em resposta ao aumento da oferta. É preciso estar atento, pois esse tipo de acomodação sempre acaba acontecendo. O timing varia de mercado para mercado. Quem for observador, e tiver sangue frio, pode fazer bons negócios, comprando na baixa e vendendo na alta.

Para aqueles que decidem investir em imóvel utilizando-se das facilidades de financiamento será crucial fazer uma boa avaliação do “custo financeiro”. O brasileiro, em geral, não costuma levar muito a sério o problema do nível da taxa de juro embutido em um financiamento, preferindo raciocínio do tipo “quanto posso pagar por mês”. Esse tipo de comportamento pode resultar no encarecimento do investimento, quando não em dificuldades para o próprio cumprimento das obrigações assumidas.

Dólar. A cotação do dólar sofreu ajuste importante nos últimos tempos em resposta, em princípio, às turbulências vindas do Europa e, mais recentemente, das tensões entre as duas Coreias. Outros fatores, entretanto, podem ajudar a explicar o fato: elevado déficit em nossa conta corrente (um dia o ajuste no câmbio torna-se mais que natural) e eventual mudança do humor dos investidores externos em relação aos emergentes, como o Brasil.

Entre esses fatores, o que deverá condicionar a cotação do dólar em relação ao real, de forma mais duradoura, é o comportamento do déficit em conta corrente. Estamos em período de acúmulo de grandes déficits em conta corrente e isso tende a levar a cotação da moeda estrangeira para um patamar bem diferente daquele a que nos acostumamos nos últimos anos. No curto prazo, sempre haverá possibilidade de períodos de valorizações do real, motivados principalmente pelo ingresso de recursos externos.



*Economista, consultor com mestrado
pela FGV e ex-diretor do BC
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