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Opinião
- Edição 539 - Jornal NippoBrasil
De Bric a Pigs: só as siglas não resolvem
Teruo Monobe*
Se siglas
resolvessem problemas, então a economia mundial estaria bem. Só
no ano passado, pelo menos duas novas siglas fora incorporadas no cotidiano
econômico: o G-20 e o Pigs. O G-20, como foi dito na ocasião,
é uma espécie de G-7 ampliado com alguns países cujas
economias haviam crescido recentemente. Tentaram reunir 13 países,
mas não deu certo. Em tempos de crise brava, o número não
ia mesmo vingar, nem daria sorte.
O G-20 tornou-se
o principal fórum financeiro e econômico internacional. A
criação do G-20 era necessária, mas foi a crise que
fez que os países do G-7 entendessem que eles não representavam
mais a realidade. Neste ano, em novembro, a reunião de Seul completará
a transição do G-7 para o G-20. Mas, no meio do ano, no
Canadá, haverá conferências paralelas dos dois grupos.
O G-20 fica sendo, assim, o novo tabuleiro de xadrez da economia mundial.
O fato é
que o Financial Times (FT) criou o termo Pigs ou Piigs. A diferença
entre as duas siglas é mais de conotação, já
que pig é o animal que chafurda na lama. Na prática, o Piigs
inclui a Irlanda, país que teve problemas no ano passado. Pertencem
ao Piigs Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain,
em inglês), países europeus com economias problemáticas.
O FT não precisava ser tão sarcástico a ponto de
criar uma sigla tão depreciativa.
Um famoso economista
havia sido muito condescendente para com o Brasil, criando a sigla Bric
e incluindo o Brasil junto com a Rússia, a Índia e a China.
Ao contrário dos países do Pigs, o Bric foi uma sigla criada
para países emergentes com grande potencial de crescimento econômico.
Está certo que nenhum dos países do Bric pode concorrer
com a China pela simples razão de ela ter um crescimento excepcional,
o que a exclui até da sigla.
Desde o final
do ano passado, o Pigs está dando muito susto. Um parênteses:
aqueles que falam que deve ser Piigs haviam maldito a Irlanda e a Islândia
(este um país que deu muito problema com a quebra de conhecidos
bancos), países que haviam sido, pouco tempo antes da crise, os
padrões da nova Europa. Mas, agora surge a notícia que os
países do Pigs acumulam dívida soberana passível
de reestruturação no valor de US$ 2 trilhões.
Neste início
de ano, é a Grécia que começa a dar problema, com
o temor pela dívida soberana. Os mercados financeiros mundiais
ficaram abalados pela notícia dos problemas gregos e aí
começou a discussão de qual organismo iria ajudar o país
a não quebrar. Como a Grécia está na União
Europeia (EU), ficou certo que a responsabilidade era da EU e não
do G-7. Curioso é que a Itália está na União
Europeia, pertence ao G-7 e está no PIGS.
De um lado,
a formação de um grande grupo (G-20) significa um avanço
democrático, por outro lado torna um grupo cheio de interesses
diversos e pouca coesão. Mesmo no caso do Bric, que não
era um grupo formal, mas apenas uma referência de países
emergentes, não havia muita coisa em comum, mesmo porque a China
se sobressaía dos demais, há muito deixando de ser um país
emergente. Por isso mesmo, a sigla Bric deveria ser abandonada.
Igualmente,
a imprensa em geral deveria deixar de mencio-nar a sigla Pigs, pelas razões
expostas. É preciso acabar com essa bobagem, cuja aberração
deve ter saído da cabeça de alguns analistas raivosos. Como
a mente é pródiga nesse tipo de besteira, já deve
existir muito espírito de porco que deve estar pensando em criar
alguma sigla como SHIT ou qualquer coisa pior, só para incluir
países problemáticos por culpa dos seus governos. Aí
a disputa seria pela letra H, que tem pretendentes imbatíveis.

*Mestre em Administração Internacional e doutor pela USP
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