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(Texto:
Daniela Karasawa/NB | Ilustração: Claudio Seto)
Uma poetisa
que está, recentemente, recebendo uma reavaliação
bastante positiva. Trata-se de Kaneko Misuzu, uma escritora que surgiu
e desapareceu como um cometa, nos fins da Era Taisho. Suas obras, constituídas
de 550 poesias infantis encontradas 50 anos após a sua morte, foram
sucessivamente publicadas. Mesmo atualmente, decorridos 70 anos, as suas
poesias, escritas com delicada linguagem que expressa com certa tristeza
e compreensão a vida cheia de frescor do mundo natural, tocam o
coração das pessoas. Seus versos constam também dos
livros didáticos de Língua Pátria do ensino fundamental
e médio.
A
era de ouro das canções infantis
A época
em que a poetisa viveu é denominada Democracia da Era Taisho,
marcada pela transição da Era Meiji, em que havia resquícios
do sistema feudal, pela liberdade de expressar livremente a opinião
e o pensamento próprios, pelo fato de a literatura e a arte terem
deixado de ser regalias de uma pequena elite, e pelo surgimento da classe
média, com o desenvolvimento da economia. Com a chegada da Era
Showa, os militares adquiriram poderes, transformando o período
em uma era sombria, quando se iniciou a opressão à liberdade
de expressão.
Mesmo no mundo
das canções infantis, havia poetas que consideraram impróprias
para educação da sensibilidade infantil as canções
praticadas por imposição do governo no curso fundamental.
Eram eles: Kitahara Hakushu, Noguchi Ujo, Takehisa Yumeji, Saijo Yaso,
etc. Revistas de histórias infantis foram também editadas
sucessivamente. A primeira pessoa que reconheceu o talento da poetisa
foi Saijo Yaso, colocando-a no mesmo nível de Yosano Akiko. Ele
expressa da seguinte forma as impressões causadas por Misuzu: Esta
jovem poetisa, que em suas obras mostrou uma fantasia requintada como
a da inglesa Christina Rossetti, pareceu, à primeira vista, tratar-se
de uma dama de uma pequena venda de um subúrbio comum. Mas a sua
aparência era de elegância, e seus olhos tinham um profundo
brilho como pedra obsidiana.
Os críticos
analisam seus versos da seguinte forma: Fazem transcender longínquas
épocas, submergindo ainda mais profundamente no eu e no universo
e fazem pressentir um mundo amplo que existe além dele. O resplendor
dos seus poemas, que nos lembram belas estrelas, deve-se a esse brilho
misterioso da alma.
Uma
breve vida de 26 anos
Seu pai, Kaneko
Shonosuke, faleceu quando Misuzu tinha 3 anos; e seu irmão, Masasuke,
apenas 1 ano. O irmão foi adotado pela família da irmã
mais nova de sua mãe. Mais tarde, esta tia também faleceu,
e Michi, mãe de Misuzu, casou-se novamente. Shozo Uemura, que passou
a ser padrasto de Misuzu, possuía um amplo comércio de livros
em Shimogaseki. Misuzu, após concluir o colégio para meninas,
passou a ajudar nesta livraria. Desde esta época, começou
a enviar seus trabalhos a revistas de canções e poemas infantis,
sob pseudônimo de Kaneko Misuzu. Na ocasião, não sabia
da sua consangüinidade com o irmão adotivo. O irmão
tinha o sonho de tornar-se um compositor em Tóquio e compunha músicas
para os versos de Misuzu; assim, os dois foram se sentindo atraídos
mutuamente. Quem guardara todas as suas obras fora este irmão.
Entretanto, para afastá-los, foi proposto a Misuzu o matrimônio
com um dos funcionários da livraria. Não sendo possível
recusar, ela se casou aos 24 anos. Seu marido lhe proibiu qualquer atividade
literária. Teve uma filha, mas se separou do marido aos 26 anos.
Na véspera da data em que deveria abrir mão da sua filha,
suicidou-se.
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Eu, o pássaro e o guizo
Por mais que
eu estenda os braços,
Não consigo voar pelo céu;
Mas o pássaro que pode voar,
Não pode correr por terra, veloz como eu.
Por mais que
eu balance o corpo,
Não produzo lindos sons;
Mas o guizo que pode fazê-lo,
Não conhece tantas canções como eu.
O guizo, o
pássaro e eu.
Somos todos diferentes; e gosto de todos.
Mistérios
É tudo
muito misterioso;
Como pode a chuva que cai de negras nuvens
Ter este brilho prateado.
É tudo
muito misterioso;
Como os bichos-da-seda que comem folhas verdes da amoreira,
Podem se tornar brancos.
É tudo
muito misterioso;
Como pode a flor da cabaceira abrir-se sozinha,
Sem que alguém a toque.
É tudo
muito misterioso;
Que a quem quer que eu indague,
Todos riem dizendo que isso é óbvio.
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