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Caderno  Personalidades do Japão

1916 ~2006
Codinome: Tokyo Rose
Acusada injustamente por crime de traição após a Segunda Guerra Mundial,
Iva Toguri D’Aquino conseguiu retomar sua vida após seis anos de prisão
 

(Ilustração: Claudio Seto)

Em um julgamento conduzido de forma parcial e preconceituosa, ela foi condenada a dez anos de prisão e a uma multa de US$ 10 mil por crime de traição. A sentença foi dada pelo Tribunal de Justiça do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 1949. O nome da ré: Iva Toguri D’Aquino, conhecida pelo codinome Tokyo Rose. Após superar inúmeras agruras para recuperar sua liberdade – inclusive um período de seis anos de prisão –, ela teve anistia concedida pelo presidente Gerald Ford em 19 de janeiro de 1977.

Origem e trabalho na guerra

Iva Toguri D’Aquino nasceu na Califórnia em 1916. Seus pais eram imigrantes japoneses radicados nos Estados Unidos e o sobrenome D’Aquino se refere ao fato de ela ter se casado com o repórter português Felipe D’Aquino em julho de 1945.

Quando ainda era estudante do curso de mestrado da Universidade da Califórnia, em julho de 1941, Iva viajou ao Japão para visitar uma tia doente. Com a ofensiva militar japonesa no Oceano Pacífico e o ataque à base militar americana de Pearl Harbor, no Estados Unidos, durante a Segunda Guerra, ela não pôde retornar ao seu país natal.

Para sobreviver, ela começou a trabalhar em uma emissora de ondas curtas dirigida ao exterior do departamento de informações de Atago-san. No ano de 1942, Iva passou a trabalhar como datilógrafa do departamento de assuntos americanos da rádio Nippon Hôsô Kyôkai (NHK) e a participar também do programa de rádio que tinha como objetivo a propaganda anti-americana. Ela se tornou uma das locutoras do programa Zero Hora, que tinha como objetivo fazer apelos aos soldados da força aliada utilizando-se de prisioneiros americanos capturados durante a guerra.

No início, o trabalho da Iva era o de traduzir os textos escritos em japonês para o inglês, mas, pelo fato de as autoridades japonesas acharem que a voz de uma mulher poderia surtir maior efeito junto aos soldados, ela passou a ser uma das locutoras do programa. Com o passar do tempo, os soldados americanos deram o apelido de Tokyo Rose para as locutoras desse programa, que foi ao ar de março de 1943 a 14 de agosto de 1945, um dia antes da declaração de rendição japonesa feita pelo imperador Hirohito. É sabido que houve várias locutoras que participaram desse programa, mas a única a se declarar oficialmente como uma das Tokyo Rose foi Iva D’Aquino.

Condenação

Logo após o fim do conflito mundial, Iva foi presa por suspeita de crime de guerra pelos General Headquarters, as forças militares americanas que ocuparam o Japão, mas foi solta por falta de provas. Porém, ao voltar aos Estados Unidos, ela foi julgada e condenada por crime de traição à pátria pelo Tribunal de São Francisco, no estado da Califórnia, em 1949. Entretanto, graças, principalmente, ao movimento realizado pelos nikkeis americanos a seu favor e também por seu bom comportamento, Iva recebeu anistia do presidente americano em 1977 e, mais tarde, conseguiu recuperar a cidadania americana.

Ela se mudou para Chicago e trabalhou na loja de importação fundada por seu pai até falecer, aos 90 anos, no dia 26 de setembro de 2006.


* Esta página foi produzida pelas professoras Akiko Kurihara, Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama. Tradução: Akiko Kurihara, Clara Kazuko Sakai e Arísia Noguchi.

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