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(Por
Equipe Zashi* | Fotos: Divulgação)
O dia 18 de
junho de 2008, no porto de Santos o dia e o local históricos
da imigração japonesa no Brasil ficou marcado por
vários motivos. Além da comemoração dos cem
anos de imigração, foi lá, por exemplo, que a cantora
Yumi Inoue, 32, carinhosamente chamada de cantora criada pela colônia,
escolheu para iniciar sua décima turnê pelo País.
Artista conhecida
na comunidade, Yumi não tinha ligação direta, nem
conhecimento sobre o Brasil. E tudo foi assim até que ela assistiu
a um programa mostrando japoneses que moravam no País há
dez anos.
Yumi é
natural da província de Aichi e tem visitado continuamente o Brasil
desde 1999. Cantora do gênero enka (o mais tradicional da música
do arquipélago), Yumi visita comunidades japonesas em vários
locais do Brasil, apresentando-se em teatros e até mesmo em palcos
improvisados em campos de gatebol deixando o lucro de lado. Qual
é o motivo disso? Para divulgar as canções
japonesas, ela responde. Por causa de sua atitude, Yumi tem se tornado
cada vez mais reconhecida pelo público da comunidade brasileira.
Canções
importantes vieram na bagagem da artista ao longo das turnês brasileiras.
Eu sou Japonesa é uma música temática relacionada
à imigração, criada em 2003 como um presente para
os nikkeis. Conta os sentimentos dos imigrantes partindo do porto de Kobe,
no Japão, e tornou-se símbolo dos 50 anos de imigração
japonesa no período pós-guerra. Em 2008, Yumi trouxe Obrigada,
Kasato-maru, uma canção para marcar o centenário
da comunidade japonesa no Brasil.
(*Colaboração:
Andreano Takahashi)
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Zashi
- Como foi o seu contato com música? Fale a respeito de sua estréia
e do encontro com o Brasil.
Yumi Inoue - Quando era pequena, eu freqüentava, com meu pai,
um snack bar e, lá, cantava karaokê. Cantar era algo que
me divertia bastante. Desde os 6 anos, eu já tinha vontade de ser
cantora e comecei a fazer aulas de música, audições
e participação em competições. Aos 18 anos,
fui contratada por uma gravadora. Até descobrir a existência
da comunidade, enfrentava divergências entre o ideal e a realidade
no mundo do entretenimento. Não podia cantar o que quisesse e me
sentia deprimida. Um dia, porém, vi uma cena na televisão
de um japonês que ensinava a língua japonesa a nisseis e
sanseis através de música enka. Eu não sou conhecida,
mas queria que eles ouvissem as minhas músicas.
Zashi -
Como foi o seu primeiro show?
Yumi - Fiz meu primeiro show em Osasco (grande São Paulo).
No Japão, minha participação durava 30 ou 40 minutos,
mas, em Osasco, foram concedidas duas horas para a minha performance.
Estava preocupada com a repercussão, porém, depois da primeira
frase da música, as palmas surgiram. Naquele momento, fiquei emocionada.
Zashi -
Sua turnê repetiu-se no Brasil depois de 1999. O que a motivou a
voltar?
Yumi - No começo, eu não imaginava que faria outra turnê.
Mas, depois da primeira, ficou na minha cabeça um desejo de reencontrar
o público. E, sabendo que ainda existiam muitas colônias
que eu não conhecia no Brasil, quis conhecê-las e levar minhas
músicas até elas. Além de meu desejo, sem dúvida,
havia o apoio da comunidade. Para mim, foi importante contar com apoio
e saber que o público me considera uma neta.
Zashi -
Você tem duas músicas com temáticas de imigração
japonesa. Como surgiram essas idéias?
Yumi - Sou Japonesa foi um presente para a comunidade que me aceitou.
A música conta nostalgias sobre o Japão, dos imigrantes
partindo do porto de Kobe. E Obrigado, Kasato-Maru é exatamente
a homenagem aos primeiros imigrantes de navio Kasato Maru. Queria monstrar
gratidão aos imigrantes que marcaram a história da imigração
japonesa no Brasil. Eu não sei contar as dificuldades pelas quais
os imigrantes vêm enfrentando, mas creio que cantar essa música,
tanto no Brasil como no Japão, seja uma motivação
para ligar os dois países.
Zashi -
O que a comunidade japonesa no Brasil significa para você?
Yumi - Essas pessoas são como pais para mim. Pelas experiências
e os encontros com os nikkeis, eu descobri o prazer de cantar. Nos shows
no Brasil, posso sorrir do meu jeito no palco. E a comunidade sempre me
apóia. Graças à colônia, hoje estou aqui como
cantora. Este ano, no centenário da imigração e nos
dez anos da minha turnê no Brasil, é um momento muito marcante
para mim.
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