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(Fotos:
Divulgação)
Michiyo Hata,
fundadora do grupo Kiku no Kai, oferece-nos um breve panorama de seu trabalho
e do cenário atual da dança na Terra do Sol Nascente. Famosa
por seus trabalhos com artistas do porte de Akira Kurosawa, Michiyo aponta
como um dos maiores desafios passar as tradições da dança
japonesa às próximas gerações. Veja um pouco
mais sobre suas idéias na entrevista a seguir.
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Nippo -
Uma das funções de seu recentemente criado Centro de Treinamento
em Yase (Quioto) é a formação de jovens talentos.
Você pode destacar algum bailarino da nova geração
revelado em Yase?
Michiyo Hata - Quioto é minha terra natal e também um
lugar de belas paisagens nas quatro estações, principalmente
na primavera e no outono. Portanto, nesses dois períodos, fazemos
apresentações no Centro. Sempre digo que muitos talentos
são criados continuamente. No Concurso Nacional de Dança
promovido pelo jornal Tokyo Shimbun, do qual participamos há 13
anos, nossos alunos vêm ganhando prêmios em graus cada vez
mais altos e, até hoje, temos 35 alunos vencedores. Os membros
do Kiku no Kai que participaram da turnê brasileira (durante os
meses de setembro e outubro) são alunos que estudam desde a escola
primária ou secundária e que ganharam prêmios.
Nippo -
Como você descreveria o cenário artístico da dança
japonesa contemporânea?
Michiyo - Antigamente, a dança japonesa era uma prática
indispensável para se aprender sobre etiqueta e também era
um requisito para atores. Hoje, no Japão, raramente se diz isso,
pois quando surge um grupo de pessoas vestidas de quimono, muitas pessoas
dizem: [Quimono] é bom. É importante. Se uma
mulher que nunca experimentou um quimono o veste em casa, por exemplo,
seu marido ou os seus pais ficam felizes e reconhecem sua importância,
mas pára aí.
Nippo -
Você teve a oportunidade de estudar sob orientação
de Onoe Kikunojo I e de trabalhar com Akira Kurosawa. Como você
avalia, hoje, a influência desses grandes nomes em sua formação
e em seu trabalho?
Michiyo - O professor Onoe Kikunojo era grande mestre. Ele faleceu
com 54 anos, após uma apresentação no Havaí,
Estados Unidos. Graças ao meu aprendizado com o professor, obtive
a credibilidade de pais e alunos e o reconhecimento de minhas apresentações
por parte da Agência de Cultura. Kurosawa sempre foi muito delicado
comigo e sempre me dizia: Vamos trabalhar conversando. Trabalhar
com ambos foi perfeito. A severidade do professor Onoe é algo muito
útil em minha carreira.
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