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(Texto
e Ilustração: Cláudio Seto)
Quando a garota
chegou em casa, levou uma bronca da mãe, porque demorou muito para
voltar. Mas, quando viu as moedas de ouro, os olhos da mãe saltaram
de tanta ganância. Logo, ela tratou de guardar para si as moedas.
Já a irmã mais nova ficou morrendo de ciúmes, pois
era ela quem gostaria de ter conseguido aquelas moedas.
Gananciosa,
a mãe decidiu que as filhas deveriam voltar à floresta para
pegar mais castanhas. Porém, desta vez, trocou as sacolas. Deu
a sacola nova para a filha mais velha e a sacola velha para a filha mais
nova. Ela queria que sua filha favorita trouxesse moedas de ouro também.
Na montanha,
a história repetiu-se de modo inverso. A irmã mais velha
com a sacola mais nova encheu-a primeiro de castanhas. E resolveu ajudar
a mais nova.
Não
preciso de sua ajuda. Se já encheu seu embornal, vá para
casa. Eu logo chego lá.
Vou
esperar por você. É perigoso ficar sozinha no meio da mata.
É
melhor você ir embora. A mamãe vai ficar brava se souber
que você encheu a sacola e ficou folgadamente parada. Ela lhe espera
para preparar o nosso jantar.
Assim, a mais
velha voltou para casa a contragosto, pois temia que sua irmã fosse
farejada pelos lobos.
Vendo a irmã
mais velha ir embora, a outra se apressou em procurar o santuário
abandonado do Jizô descrito pela primeira. E não tardou muito
a encontrar a estátua do anjo budista.
Jizô-san,
posso passar a noite nesse santuário? perguntou a menina
para a estátua.
Ninguém
pode lhe impedir de passar a noite aqui. Porém, devo adverti-la
de que é perigoso, pois à noite, vários oni vêm
aqui beber e fazer jogatina. Se descobrirem, você será, com
certeza, mais uma vítima desses demônios desalmados. Portanto,
é melhor ir embora enquanto está claro.
Mas,
Jizô-san, eu não sou medrosa.
Assim, a menina
continuou insistindo tanto, que o Jizô concordou e deu a ela a mesma
instrução dada à irmã dela na noite anterior.
Então, ela se escondeu atrás do Jizo com um chapéu
de palha na mão e ficou à espera dos oni.
No meio da
noite, mais uma vez, os demônios chegaram na clareira. Mal começou
a jogatina, a menina viu o brilho das moedas de ouro e, impulsionada pela
ganância, não resistiu e saiu de seu esconderijo. Começou
a bater o chapéu de palha e a cantar como um galo. Os demônios
levaram um grande susto com aquela inesperada barulheira. Porém,
logo raciocinaram que havia algo de estranho:
Impossível
que já esteja amanhecendo! nem chegamos a esvaziar uma garrafa
de saquê!
Alguma
coisa está errada. Estão querendo nos enganar!
Procurem
e descubram quem é o engraçadinho!
Não
demorou muito para os oni descobrirem a garota, que, tremendo de medo,
voltou para trás da estatua do Jizô.
Ah,
então foi essa que nos enganou na noite de ontem e pegou nossas
moedas de ouro. Vamos dar uma surra de chicotadas nela.
A garota correu,
pedindo clemência, e os demônios correram atrás dela,
dando-lhe varadas e chicotadas a noite toda, até ela chegar em
casa exausta e castigada. Vendo a filha mais nova apanhando dos demônios,
a mãe interveio, dizendo que quem trouxe as moedas foi a irmã
mais velha.
Velha
mentirosa, merece apanhar também.
Sim,
vão apanhar até nos devolverem as moedas de ouro!
Assim, depois
de levar uma surra, a mãe devolveu as moedas.
Bem que a irmã
mais velha confessou ser ela quem tinha trazido as moedas, porém
os demônios não acreditaram.
Na hora de
ir embora, os demônios deram as moedas para a irmã mais velha,
dizendo:
Você
é uma boa filha. Tentou proteger a mãe, dizendo-se culpada
por trazer nossas moedas. Como prêmio, vamos presentear você.
Mas,
senhores oni, fui eu que apanhei as moedas de vocês.
Não
precisa dizer mais nada. Nós não somos idiotas. Agora, as
moedas são suas e, se alguém tentar tirá-las de você,
voltaremos para cortar as mãos dessa pessoa!
Assim dizendo,
os demônios voltaram para a floresta.
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