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(Texto e Ilustração:
Cláudio Seto)
Genjoraku
é uma antiga dança palaciana da Era Nara (710~784) apresentada
freqüentemente para comemorar o retorno do imperador ao palácio
após breve ausência.
Iburi,
a máscara usada nesta dança, é considerada a mais
complexa máscara do Bugaku (música e dança da corte),
em que as sobrancelhas, a parte superior do crânio, os olhos e o
queixo são móveis. Conta a tradição mitológica
que essa máscara foi entregue ao primeiro dançarino dessa
arte, pelo casal divino Izanagui e Izanami, criadores do arquipélago
japonês. Portanto, desde os primórdios do Japão, essa
dança é transmitida de geração em geração,
dentro de uma família tradicional da corte japonesa.
Uma
lenda conta que, certa ocasião em Nara, antiga capital do Japão,
o dançarino Haruto adoeceu gravemente e veio a óbito antes
de transmitir a nobre Genjoraku para seu sucessor. Os cortesões
lamentaram a morte do dançarino, lembrando sempre de como ele tinha
a leveza do vento ao executar a sua dança. Naquela época,
ao invés de caixão, era usado um barril para enterrar as
pessoas. Resolveram, então, homenageá-lo pendurando seu
barril nas sombras das árvores do Bosque Hahaso, deixando-o ao
sabor do vento, já que no verão daquele ano o calor estava
castigando todos.
Três
dias depois, um lenhador que passava pelo local ouviu um ruído
que vinha das árvores e resolveu descobrir do que se tratava. Ao
descobrir o caixão deixado pelos cortesões e constatar que
o ruído vinha de dentro dele, saiu apavorado. Correu para um santuário
e pediu proteção ao sacerdote xintô (religião
nativa do Japão).
Ao
saber do acontecido, amigos e familiares correram ao bosque e constataram
que Haruto havia ressuscitado. Alvoroço geral. Ele estava debilitado,
porém com vida!
Dias
depois, plenamente recuperado, Haruto foi convidado a fazer depoimento
na corte. Diante de nobres, monges budistas, sacerdotes xintô, curandeiros
e toda sorte de funcionários palacianos, Haruto narrou que, depois
de sua morte, foi levado para o inferno.
E,
no palácio do Emma, o rei das profundezas, foi submetido a julgamento
para saber qual o seu destino a partir daquele momento.
Depois
de interrogado com várias perguntas, um dos auxiliares do rei Emma
sugeriu:
Haruto, este dançarino japonês, foi trazido para cá
antes de transmitir a dança Genjoraku para seu sucessor. Se não
o mandarmos de volta, essa dança vai desaparecer do Japão.
Devemos trazê-lo novamente somente quando a dança for transmitida.
Os
demais membros inquisidores concordaram com a idéia e Haruto foi
mandado de volta à vida. Assim, deu-se início a longa preparação
de Suetaka como sucessor de Haruto. Trinta anos de intenso aprendizado
fez de Suetaka tão bom dançarino como o mestre.
Dias
depois que Suetaka dançou Genjoraku na corte, comemorando o regresso
do imperador, Haruto tornou a morrer.
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