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(Crédito
das imagens: Divulgação)
Há
muitos e muitos anos, existiu, no Japão, um samurai chamado Ki
no Ensuke. Certa ocasião, após visitar a capital, ele retornava
para sua casa em Gifu. Ele estava acompanhado de alguns empregados e montava
em seu belo cavalo.
Quando passava
sobre a ponte do Rio Seta, em Shiga, viu uma bela mulher, com chapéu
eboshi, sozinha sobre a ponte. O samurai não soube identificar
se era uma shirabyoshi (dançarina de templos religiosos)
ou uma sacerdotisa da onmyodo (mestre do Yin e Yang).
Apesar de ser
muito bonita, havia algo de estranho naquela jovem mística. Então,
o samurai pensou em passar rapidamente por ela, fingindo não ter
notado sua presença.
Porém,
a a figura misteriosa avançou para o meio da ponte, fazendo sinal
para ele parar.
Por
favor, senhor samurai, para onde está indo?
Para mostrar
respeito, conforme dita o código do guerreiro, Ki no Ensuke, desceu
de sua montaria e respondeu respeitosamente
Eu estou
a caminho de Gifu, minha senhora.
Oh!
Então, posso lhe pedir um favor?
Sim,
se estiver ao meu alcance.
Então,
a mulher tirou da manga de seu quimono uma caixinha envolvida em lenço
de seda fina.
Poderia
levar esta caixa até a ponte do Rio Dan em Kara no Sato? Uma mulher
vai estar à espera para receber este objeto na extremidade ocidental
da ponte.
O samurai sentiu
que havia algo de misterioso e ameaçador naquele simples pedido,
por isso achou que seria mais prudente aceitar a missão.
A quem
devo entregar a caixa na ponte do Rio Dan? Se não encontrar a pessoa,
onde devo deixar a caixinha?
Não
se preocupe, ela está esperando pelo senhor. Assim que chegar à
ponte com a caixinha na mão ela virá recebê-la. Porém,
é muito importante que jamais abra a caixa para ver o que existe
em seu interior. Em hipótese alguma.
Na extremidade
da ponte, seus empregados esperavam por ele. Ninguém teve a coragem
de perguntar ao patrão porque ele desceu no meio da ponte e ficou
falando sozinho. Não havia ninguém lá, somente um
borboleta preta voando na frente do samurai.
No longo caminho
pela frente, acabou esquecendo da entrega que tinha que fazer na ponte
do Rio Dan. Passou direto sobre ela e foi para sua casa em Gifu. Quando
desfazia seus embrulhos de viagem, lembrou da entrega que deveria fazer.
Mas estava cansado demais para voltar até a ponte e resolveu que
o faria no dia seguinte. Então, deixou a caixinha na prateleira
e foi descansar.
Ki no Ensuke
tinha uma esposa muito ciumenta. Vendo a caixinha cuidadosamente guardada
na prateleira, um pensamento errôneo passou pela sua cabeça.
Isto
só pode ser um presente que ele comprou na Capital para sua amante!
Vendo que o
marido roncava, cansado da viagem, pegou a pequena caixa e abriu. Tal
foi a surpresa, que ela deu um grito horroroso.
Dentro da caixa,
havia um par de glóbulos oculares humanos e um órgão
genital masculino cortado, com pelos pubianos, sujo de sangue.
O marido, que
estava sonhando com muitas borboletas voando, foi despertado pelo grito
da esposa ciumenta. Ficou furioso ao ver que ela havia aberto a caixa.
O que
você foi fazer? A estranha mulher que me entregou essa caixinha
disse que ela nunca poderia ser aberta! Seu gesto infeliz pode atrair
algum tipo de azar para nossa casa.
Ki no Ensuke
fechou a caixa com cuidado e foi direto para a ponte do Rio Dan. Realmente,
havia uma mulher jovem com chapéu eboshi à espera
dele para receber o objeto.
Foi
aberta! Você cometeu um grande erro, não devia ter aberto
a caixa ela disse.
Sem saber o
que responder, o samurai ficou boquiaberto enquanto a mulher se afastava,
decepcionada.
Ao retornar
para casa, Ki no Ensuke sentiu terríveis dores de cabeça.
Antes de desmaiar, lamentou com a mulher:
Por
que você fez isso? Para que tinha que abrir a caixinha?
Acamado desde
então, dois dias depois, o samurai veio a falecer. Dessa história,
surgiu o provérbio japonês, que diz: ciúme demasiado
de uma esposa, pode matar seu marido.
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