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Caderno Turismo

A mistura de Ginza
Poucos lugares conseguem transformar a mistura de épocas, tradições e estilos em algo realmente novo, como a marca de uma nova época

(Texto e Fotos: Lucas Ogasawara)


Presença de grandes lojas marcam a influência européia em Ginza

Tradições históricas e modernidade andam juntas, criando uma bela mistura

Localidade consegue transformar o novo em tradicional

O Japão é lugar marcado pela mistura de épocas, tradições e estilos diferentes. É fácil encontrar ambientes onde isso é bem visível. Porém, poucos lugares conseguem transformar tais diferenças em algo realmente novo, como a marca de uma nova época, tradição e estilo. Em Tóquio, há um distrito que claramente se destaca por isso: Ginza.

História e modernidade

O nome apareceu durante a Era Edo, no século XVII. O bairro que se conhece hoje, apesar de parecer extremamente contemporâneo, teve seu início no século XIX, após a reconstrução do distrito, exigida por causa de um grande incêndio que devastou quase toda área. O famoso prédio Ginza Wako, com seu maravilhoso relógio, apesar de ter sido construído em 1932, é a prova da grande influência européia na reconstrução do local. Mesclando-se com essa influência, encontram-se todos os traços japoneses, desde o Teatro Kabukiza, construído no século XIX, até de espaços próximos ao distrito, como o Hamarikyu Garden.

Ao primeiro contato, a principal atração de Ginza são as inúmeras lojas e restaurantes. Tudo tem seu estilo próprio, sua calçada e seus uniformes. Da gigante loja da Apple ao prédio da Sony, todos os espaços estão ali, disputando a atenção com luzes, quitutes e uma boa música, tudo, é claro, com grande estilo e discrição. As lojas de departamento são um show à parte. Aqui, alguma delas: Mitsukoshi, com seus 12 andares, tem o início de sua história desde o século XVII; Matsuya, uma das lojas mais variadas, de alta costura a pet shop; a parisiense Printemps; a Hankyu, dividida entre a clássica Yurakucho Hankyu e a especializada em coleções de moda Mosaic Ginza Hankyu; a Seibu Store, com seus nove andares dos mais variados estilos de moda; e, por fim, uma das principais esquinas do distrito, a Ginza Wako, prédio-símbolo do distrito que abriga um leque de jóias e artigos de luxo dos mais variados preços e estilos. O mais interessante dessas lojas de departamento é que todos esses espaços se fazem por lugares onde a tradição histórica e o contemporâneo andam juntos, criando um Japão belo, que se define pela própria mistura.

Apesar de ver toda essa história e de poder adentrar lojas e lugares com todos os estilos possíveis, nada se compara ao que acontece nos finais de semana em Ginza. No período da tarde, a avenida principal norte–sul é fechada para o trânsito, deixando o corredor criado pelos arranha-céus para os pedestres. O corredor de cores, marcas e estilos que se pode ver olhando tal avenida é impressionante. Uma sensação de liberdade diferente e, pode-se arriscar dizer, muito contemporânea.

Ao anoitecer, Ginza transforma-se. As inúmeras luzem dos prédios acendem-se e mostram um lado novo do lugar. Os tons suaves saem de cena e dão lugar a cores fortes e brilhantes. Praticamente os lugares mudam. A sensação de um Japão pop ganha espaço e se mescla com todos aqueles estilos clássicos e tradicionais.

Transportes

Para chegar a Ginza, há basicamente duas opções. A primeira é pelo metrô, utilizando umas das três linhas que cruzam a Ginza Station, a Hibiya Line, a Marunouchi Line ou a Ginza Line. A segunda opção, boa para aqueles que possuem o JRpass, é descer na Yurakucho Station, que fica na famosa Yamanote Line. Os valores dependem de onde o turista partir. Outra dica é não se preocupar com qual das saídas é a melhor para você. Feche os olhos e escolha aquela mais próxima. Pois, se for para se perder, melhor que seja diante de todas aquelas lojas e restaurantes. Sobre os horários; como em toda Tóquio, quase todas as lojas abrem diariamente por volta das 10 horas da manhã e fecham em torno das 20 horas. Restaurantes, lanchonetes e lojas de quitutes fecham mais tarde, variando para cada estabelecimento. No entanto, como já dito, o melhor momento para visitar Ginza são os finais de semana no período da tarde. Andar livremente em meio a todos aqueles lugares, imagens e sensações é a melhor lembrança que o turista conseguirá de um lugar que faz do novo algo tradicional.



Apesar da aparência contemporânea, o bairro teve seu início no século XIX
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