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Horário de Brasília: Quarta-feira, 08 de setembro de 2010 - 14h06
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Especial
 
Transgênicos já estão por toda parte no Japão

Soja transgênica: rotulagem de
alimentos no Japão é obrigatória

(Reportagem: Redação/NB | Foto: Divulgação)

Queira ou não queira, está ficando cada vez mais difícil evitar alimentos transgênicos no Japão. A população os consome de forma indireta por meio de carnes e outros derivados de gados e porcos, que são alimentados com grãos geneticamente modificados importados dos Estados Unidos. Além disso, o uso de transgênicos já é comum na produção de óleo de cozinha no Japão, e está crescendo também no ramo de fabricação de amido de milho.

Segundo estimativas, mais de 70% da soja e do milho consumidos no país são geneticamente modificados, informou o jornal Nihon Keizai. E a tendência deve continuar, já que a produção de soja e milho não-transgênicos está em queda nos EUA, o principal fornecedor desses grãos para o mercado japonês.

A soja é um dos alimentos importantes no Japão por ser o ingrediente básico de shooyu e missô, dois condimentos indispensáveis na culinária local. Em um ano, os japoneses consomem 4,4 milhões de toneladas desse grão, mas apenas 5% são cultivados no solo nipônico. O Japão depende 76% da importação dos EUA, o maior produtor mundial de soja.

No caso do milho, essa taxa aumenta mais ainda. Os grãos procedentes dos EUA representam 93% do total de 16,4 milhões de toneladas consumidas em um ano no país. De acordo com o jornal Nihon Keizai, o Japão importa mais de 1 milhão de toneladas de soja não-transgênica como matéria-prima de produtos alimentícios. Cerca de 50% desse total é procedente dos EUA. Quanto às cerca de 3,5 milhões de toneladas de milho convencional que o país importa para a mesma finalidade, os produtos norte-americanos representam quase 100%.

Os não-transgênicos são mais caros, mas a indústria japonesa prefere comprá-los por causa da exigência dos consumidores preocupados com a segurança alimentar. Mas ela enfrenta dificuldades em conseguir os grãos convencionais dos fornecedores norte-americanos que têm optado pelos cultivos geneticamente modificados.

Em 2000, os produtos não-transgênicos ainda representavam 46% da safra de soja e 75% da de milho nos EUA. Nos últimos anos, o cultivo deles diminuiu drasticamente. Conforme estimativas, essas proporções devem cair este ano para 7% no caso da soja, e para 20%, no do milho. Entre as principais vantagens dos cultivos geneticamente modificados estão a capacidade para aumentar a produtividade agrícola, reduzir a aplicação de agrotóxicos, tornar os alimentos mais nutritivos e saudáveis e criar novos tipos de terapias e medicamentos.

Sob a lei japonesa, é obrigatória a rotulagem de alimentos que têm na matéria-prima algum componente transgênico. A indústria tem de informar ao consumidor a existência de 5% ou mais de componentes transgênicos nos produtos colocados à venda. No ramo de produção de óleo de cozinha no país, grande parte da soja usada como ingrediente é do tipo transgênico.

Os produtores de amido de milho também já começaram a utilizar materiais geneticamente modificados. Já os fabricantes de missô e tofu ainda têm resistência aos materiais geneticamente modificados, temendo a perda de clientes.

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