
Soja transgênica: rotulagem de
alimentos no Japão é obrigatória |
(Reportagem:
Redação/NB | Foto: Divulgação)
Queira ou não
queira, está ficando cada vez mais difícil evitar alimentos
transgênicos no Japão. A população os consome
de forma indireta por meio de carnes e outros derivados de gados e porcos,
que são alimentados com grãos geneticamente modificados
importados dos Estados Unidos. Além disso, o uso de transgênicos
já é comum na produção de óleo de cozinha
no Japão, e está crescendo também no ramo de fabricação
de amido de milho.
Segundo estimativas,
mais de 70% da soja e do milho consumidos no país são geneticamente
modificados, informou o jornal Nihon Keizai. E a tendência deve
continuar, já que a produção de soja e milho não-transgênicos
está em queda nos EUA, o principal fornecedor desses grãos
para o mercado japonês.
A soja é
um dos alimentos importantes no Japão por ser o ingrediente básico
de shooyu e missô, dois condimentos indispensáveis na culinária
local. Em um ano, os japoneses consomem 4,4 milhões de toneladas
desse grão, mas apenas 5% são cultivados no solo nipônico.
O Japão depende 76% da importação dos EUA, o maior
produtor mundial de soja.
No caso do
milho, essa taxa aumenta mais ainda. Os grãos procedentes dos EUA
representam 93% do total de 16,4 milhões de toneladas consumidas
em um ano no país. De acordo com o jornal Nihon Keizai, o Japão
importa mais de 1 milhão de toneladas de soja não-transgênica
como matéria-prima de produtos alimentícios. Cerca de 50%
desse total é procedente dos EUA. Quanto às cerca de 3,5
milhões de toneladas de milho convencional que o país importa
para a mesma finalidade, os produtos norte-americanos representam quase
100%.
Os não-transgênicos
são mais caros, mas a indústria japonesa prefere comprá-los
por causa da exigência dos consumidores preocupados com a segurança
alimentar. Mas ela enfrenta dificuldades em conseguir os grãos
convencionais dos fornecedores norte-americanos que têm optado pelos
cultivos geneticamente modificados.
Em 2000, os
produtos não-transgênicos ainda representavam 46% da safra
de soja e 75% da de milho nos EUA. Nos últimos anos, o cultivo
deles diminuiu drasticamente. Conforme estimativas, essas proporções
devem cair este ano para 7% no caso da soja, e para 20%, no do milho.
Entre as principais vantagens dos cultivos geneticamente modificados estão
a capacidade para aumentar a produtividade agrícola, reduzir a
aplicação de agrotóxicos, tornar os alimentos mais
nutritivos e saudáveis e criar novos tipos de terapias e medicamentos.
Sob a lei japonesa,
é obrigatória a rotulagem de alimentos que têm na
matéria-prima algum componente transgênico. A indústria
tem de informar ao consumidor a existência de 5% ou mais de componentes
transgênicos nos produtos colocados à venda. No ramo de produção
de óleo de cozinha no país, grande parte da soja usada como
ingrediente é do tipo transgênico.
Os produtores
de amido de milho também já começaram a utilizar
materiais geneticamente modificados. Já os fabricantes de missô
e tofu ainda têm resistência aos materiais geneticamente modificados,
temendo a perda de clientes.
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