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Especial
 
Agricultores de Tomé-Açu são pioneiros em cacau fino
Em 2007, a Camta vendeu um contêiner com 15 toneladas
de cacau Gourmet e tipo Superior

Sakaguchi, da Camta, com cacau fino resultado de cruzamento de diferentes espécies

(Texto e Foto: Rosa Kamada/Divulgação)

Pela primeira vez no Norte do Brasil, os agricultores nikkeis de Tomé-Açu, a 230 km da capital Belém, produzem, desde o ano passado, o cacau fino, tão bom quanto o da Venezuela, onde existe o melhor desse fruto, como afirma Américo Moreira, consultor da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), que trabalhou durante 16 anos na Organização das Nações Unidas (ONU) como integrante da equipe de implantação de projetos subvencionados com recursos dessa entidade.

O cacau fino de Tomé-Açu é híbrido, resultado de cruzamento de diferentes espécies de cacau para produzir o chocolate fino. “A Venezuela possui lençóis de petróleo em seu subsolo, por isso, abandonou o cacau crioulo, o melhor do mundo, embora ele continue a ser o orgulho dos venezuelanos”, explica Moreira, que aprendeu a tecnologia do manuseio do cacau naquele país e a trouxe para Tomé-Açu, o berço da imigração japonesa na Amazônia, há 79 anos.

Em Tomé-Açú, Moreira ministrou palestra sobre a tecnologia do cacau fino no ano passado, mas ninguém lhe deu crédito. Timidamente, foram surgindo alguns agricultores que compartilharam dessa cultura e, depois, passaram a contar com outros.

Em 2007, a Camta produziu e enviou um contêiner com 15 toneladas de cacau Gourmet e tipo Superior (C27) para Sharffen Berger, fábrica de chocolate fino dos Estados Unidos. A informação é de Francisco Sakaguchi, presidente da Camta. “Neste ano, queremos alcançar 90 toneladas de cacau Dark e 55 toneladas de cacau Superior [C27]. Este último foi fechado e negociado com a Lotte [famosa empresa japonesa em chocolate] do Japão, via Mitsubishi Alimentos do Brasil”, relata Sakaguchi. Ainda segundo ele, a Lotte vai lançar, no Japão, uma série especial de chocolate em alusão ao centenário da imigração japonesa no Brasil por um preço especial.

O preço do cacau fino pode alcançar até 100% de ágio, ou seja, 100% acima da bolsa de Nova York. “Por exemplo, o cacau comum, cotado a US$ 2,536, pode alcançar US$ 5,072 por tonelada métrica com o cacau fino”, diz Francisco Sakaguchi.

Hoje, a Camta produz pimenta-do-reino, cacau, cupuaçu, maracujá, açaí, acerola e carambola, entre outros. As empresas do Japão têm diversos bares onde são servidos sucos, os chamados juyce bar, tais como a Fruta Fruta. “A alma do aroma e do sabor do chocolate está na fermentação. Hoje, há técnica que induz o aroma e o sabor na fermentação”, diz o presidente da Camta.

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