
Sakaguchi, da Camta, com cacau fino resultado de cruzamento de diferentes
espécies |
(Texto e Foto:
Rosa Kamada/Divulgação)
Pela primeira
vez no Norte do Brasil, os agricultores nikkeis de Tomé-Açu,
a 230 km da capital Belém, produzem, desde o ano passado, o cacau
fino, tão bom quanto o da Venezuela, onde existe o melhor desse
fruto, como afirma Américo Moreira, consultor da Cooperativa Agrícola
Mista de Tomé-Açu (Camta), que trabalhou durante 16 anos
na Organização das Nações Unidas (ONU) como
integrante da equipe de implantação de projetos subvencionados
com recursos dessa entidade.
O cacau fino
de Tomé-Açu é híbrido, resultado de cruzamento
de diferentes espécies de cacau para produzir o chocolate fino.
A Venezuela possui lençóis de petróleo em seu
subsolo, por isso, abandonou o cacau crioulo, o melhor do mundo, embora
ele continue a ser o orgulho dos venezuelanos, explica Moreira,
que aprendeu a tecnologia do manuseio do cacau naquele país e a
trouxe para Tomé-Açu, o berço da imigração
japonesa na Amazônia, há 79 anos.
Em Tomé-Açú,
Moreira ministrou palestra sobre a tecnologia do cacau fino no ano passado,
mas ninguém lhe deu crédito. Timidamente, foram surgindo
alguns agricultores que compartilharam dessa cultura e, depois, passaram
a contar com outros.
Em 2007, a
Camta produziu e enviou um contêiner com 15 toneladas de cacau Gourmet
e tipo Superior (C27) para Sharffen Berger, fábrica de chocolate
fino dos Estados Unidos. A informação é de Francisco
Sakaguchi, presidente da Camta. Neste ano, queremos alcançar
90 toneladas de cacau Dark e 55 toneladas de cacau Superior [C27]. Este
último foi fechado e negociado com a Lotte [famosa empresa japonesa
em chocolate] do Japão, via Mitsubishi Alimentos do Brasil,
relata Sakaguchi. Ainda segundo ele, a Lotte vai lançar, no Japão,
uma série especial de chocolate em alusão ao centenário
da imigração japonesa no Brasil por um preço especial.
O preço
do cacau fino pode alcançar até 100% de ágio, ou
seja, 100% acima da bolsa de Nova York. Por exemplo, o cacau comum,
cotado a US$ 2,536, pode alcançar US$ 5,072 por tonelada métrica
com o cacau fino, diz Francisco Sakaguchi.
Hoje, a Camta
produz pimenta-do-reino, cacau, cupuaçu, maracujá, açaí,
acerola e carambola, entre outros. As empresas do Japão têm
diversos bares onde são servidos sucos, os chamados juyce bar,
tais como a Fruta Fruta. A alma do aroma e do sabor do chocolate
está na fermentação. Hoje, há técnica
que induz o aroma e o sabor na fermentação, diz o
presidente da Camta.
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