Criação
do bicho-da-seda foi marco na imigração japonesa no
Brasil |
A indústria
da seda, que já foi uma das mais significantes do Japão,
está tentando recuperar o prestígio e a importância
depois de estar quase à beira do colapso. Um dos meios usados para
buscar a recuperação é a aplicação
de uma das técnicas mais modernas da engenharia genética.
A Câmara
de Comércio e Indústria de Nagano e a Universidade Shinshu
estão unidas para o desenvolvimento de uma nova técnica
para a seda lavável. Gostaríamos de pensar em algo
como adicionar DNA de aranha em um bicho-da-seda para possibilitar a produção
de um fio mais forte, ou misturá-lo a uma fibra derivada do milho,
revelou a designer Masako Oka, 50.
O Japão
orgulhava-se de ter 2,2 milhões de sericultores familiares na segunda
metade da década de 20, mas o número caiu para 1,2 mil no
ano passado, segundo o governo. No auge, a produção de seda
bruta ultrapassou 40 mil toneladas. Agora, são pouco mais de 100
toneladas. A província de Nagano foi responsável por 30%
da produção de seda bruta do país na Era Meiji (18681912),
até meados dos anos 20.
Fabricantes
de Okaya juntaram-se, em 1875, e desenvolveram um equipamento capaz de
produzir um fio macio, baseado na tecnologia da França e da Itália.
Os dois países detinham as mais avançadas técnicas
da área na época. Em 1926, o modelo foi responsável
por 65% das máquinas em operação no Japão.
Hoje, apenas duas companhias da cidade de Okaya e região estão
envolvidas no processo de retirar o fio do casulo.
A produção
de seda no Japão foi prejudicada pela da China, de preço
bem mais baixo, e que invadiu o mercado japonês no pós-guerra.
A empresa Miyasaka ainda usa o método antigo de fabricar seda bruta,
com bichos-da-seda cultivados localmente.
Um grupo de
cidadãos da região busca alternativas, fabricando gravatas
e jogos americanos para exportar a países da Europa. O presidente
da Câmara do Comércio e da Indústria de Nagano, Haruki
Sazaki, disse que o grupo conseguiu, até agora, apenas um contrato.
O governo conseguiu
um orçamento suplementar de ¥ 3,5 bilhões em fevereiro
para acelerar a política de cooperação entre os sericultores,
fabricantes de seda e a indústria têxtil. Inicialmente, a
verba estava prevista apenas para cobrir perdas sofridas pelos sericultores,
mas a nova estratégia foi lançada para evitar a morte
natural da sericultura, caso a situação não
mudasse.
A Ori Doraku
Shiono-ya é uma fabricante têxtil com mais de 300 anos de
história em Quioto, cidade que sempre esteve avançada na
cooperação com sericultores. Com um acordo firmado entre
o governo local e a empresa, os fabricantes podem usar terras de pequenos
produtores da província para criar um bicho-da-seda especial, que
produz fio colorido sem recorrer à alimentação artificial.
O governo, então, compra os casulos por um preço alto e
os envia para Miyasaki, para a produção de um fio de alta
qualidade.
Com esse método,
é possível processar apenas 250 kg por ano. Assim, a Oi
Doraku pode vender seus produtos, mesmo que eles estejam caros. Uma idéia
parecida está em andamento em Tomioka, província de Gunma,
maior produtor de casulos do país. A prefeitura da cidade espera
que a idéia possa levar a fábrica de máquinas de
seda a entrar na lista de Patrimônio Mundial. A fábrica foi
instalada em 1872, como a primeira planta do tipo no Japão.
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