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Horário de Brasília: Quarta-feira, 08 de setembro de 2010 - 13h04
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Especial - Nippo no Campo
 
Sericultura japonesa em busca da recuperação
Uma das novidades é adicionar DNA de aranha
ao bicho-da-seda, para obtenção de fio mais forte
 

Criação do bicho-da-seda foi marco na imigração japonesa no Brasil

A indústria da seda, que já foi uma das mais significantes do Japão, está tentando recuperar o prestígio e a importância depois de estar quase à beira do colapso. Um dos meios usados para buscar a recuperação é a aplicação de uma das técnicas mais modernas da engenharia genética.

A Câmara de Comércio e Indústria de Nagano e a Universidade Shinshu estão unidas para o desenvolvimento de uma nova técnica para a seda lavável. “Gostaríamos de pensar em algo como adicionar DNA de aranha em um bicho-da-seda para possibilitar a produção de um fio mais forte, ou misturá-lo a uma fibra derivada do milho”, revelou a designer Masako Oka, 50.

O Japão orgulhava-se de ter 2,2 milhões de sericultores familiares na segunda metade da década de 20, mas o número caiu para 1,2 mil no ano passado, segundo o governo. No auge, a produção de seda bruta ultrapassou 40 mil toneladas. Agora, são pouco mais de 100 toneladas. A província de Nagano foi responsável por 30% da produção de seda bruta do país na Era Meiji (1868–1912), até meados dos anos 20.

Fabricantes de Okaya juntaram-se, em 1875, e desenvolveram um equipamento capaz de produzir um fio macio, baseado na tecnologia da França e da Itália. Os dois países detinham as mais avançadas técnicas da área na época. Em 1926, o modelo foi responsável por 65% das máquinas em operação no Japão. Hoje, apenas duas companhias da cidade de Okaya e região estão envolvidas no processo de retirar o fio do casulo.

A produção de seda no Japão foi prejudicada pela da China, de preço bem mais baixo, e que invadiu o mercado japonês no pós-guerra. A empresa Miyasaka ainda usa o método antigo de fabricar seda bruta, com bichos-da-seda cultivados localmente.

Um grupo de cidadãos da região busca alternativas, fabricando gravatas e jogos americanos para exportar a países da Europa. O presidente da Câmara do Comércio e da Indústria de Nagano, Haruki Sazaki, disse que o grupo conseguiu, até agora, apenas um contrato.

O governo conseguiu um orçamento suplementar de ¥ 3,5 bilhões em fevereiro para acelerar a política de cooperação entre os sericultores, fabricantes de seda e a indústria têxtil. Inicialmente, a verba estava prevista apenas para cobrir perdas sofridas pelos sericultores, mas a nova estratégia foi lançada para evitar a “morte natural” da sericultura, caso a situação não mudasse.

A Ori Doraku Shiono-ya é uma fabricante têxtil com mais de 300 anos de história em Quioto, cidade que sempre esteve avançada na cooperação com sericultores. Com um acordo firmado entre o governo local e a empresa, os fabricantes podem usar terras de pequenos produtores da província para criar um bicho-da-seda especial, que produz fio colorido sem recorrer à alimentação artificial. O governo, então, compra os casulos por um preço alto e os envia para Miyasaki, para a produção de um fio de alta qualidade.

Com esse método, é possível processar apenas 250 kg por ano. Assim, a Oi Doraku pode vender seus produtos, mesmo que eles estejam caros. Uma idéia parecida está em andamento em Tomioka, província de Gunma, maior produtor de casulos do país. A prefeitura da cidade espera que a idéia possa levar a fábrica de máquinas de seda a entrar na lista de Patrimônio Mundial. A fábrica foi instalada em 1872, como a primeira planta do tipo no Japão.

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