PORTAL NIPPO-BRASIL - 12 ANOS ONLINE

Horário de Brasília: Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 - 15h14
Seções

Entre em contato
com a redação:
campo@nippo.com.br

Especial
 
Especialistas defendem
crescimento do cultivo sustentável
 

Para apli terra para cultivo

(Reportagem: Susy Murakami / Foto: Divulgação)

Nos últimos anos, a utilização dos Sistemas Agroflorestais tem aumentado no Brasil, ainda que de forma lenta, se comparada à expansão agrícola convencional. Para especialistas, há um grande potencial de crescimento desse sistema no País. A produção de cacau, por exemplo, poderia dobrar com o plantio consorciado. “O Brasil importa um terço do consumo nacional de cacau, implicando evasão de divisas de mais 120 milhões de dólares anuais”, diz Alfredo Kingo Oyama Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental em Belém. “Temos 110 mil hectares de cacaueiros na Amazônia e podemos dobrar essa área”.

Para o belga Jean Dubois, um dos pioneiros e mais ativos na divulgação dos SAFs no País, o cultivo de árvores integrado com a criação de animais é pouco aproveitado no Brasil. Ele acredita no crescimento desse sistema, principalmente se sua aplicação ocorrer em média e grande escala. “Não são apenas os pequenos agricultores e os membros de comunidades tradicionais [índios, ribeirinhos, caiçaras-da-mata] que podem adotar SAFs”, diz.

Não há dados precisos, mas Dubois acredita que a área ocupada por sistema agroflorestal por agricultores familiares é de cerca 44 mil hectares no total. “O aumento deve-se principalmente à crescente conversão de monocultura de café e de cacau em cafezais e cacauais sombreados”, diz.

Dubois veio ao Brasil em 1962 trabalhar como perito florestal da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) na Amazônia. Atualmente, é conselheiro da Rede Brasileira Agroflorestal (Rrebraf) e trabalha na divulgação dos SAFs no Brasil desde o início dos anos 80..

 
Pesquisador da Embrapa Floresta
explica distribuição dos sistemas no País

Os cultivos integrados diferenciam de acordo com cada região. No Sul, por exemplo, o sistema silvipastoril vem apresentando crescimento significativo. No Paraná, cerca de 10 mil hectares são dedicados a essa prática. “Hoje, os sistemas silvipastoris e agrossilvipastoris constituem-se em uma das principais ferramentas da nova estratégia de como fazer agricultura sustentável: a Estratégia Integração Lavoura, Pecuária e Floresta”, afirma Moacir José Sales Medrado, pesquisador da Embrapa Floresta em Colombo, PR. Em entrevista, Medrado deu um panorama do uso dos SAFs em território nacional.

Quais regiões no Brasil estão conseguindo implantar o SAF de forma bem-sucedida?
Se considerarmos experiências individuais de agricultores familiares ou mesmo de empresas, podemos afirmar com segurança que hoje, os sistemas agroflorestais estão sendo implantados em todos os estados do Brasil. Por outro lado, quando tratamos das experiências de SAFs sendo utilizados como ferramenta de desenvolvimento de grupos de agricultores, comunidades, territórios ou municípios a situação é diferente. Neste caso, existem, algumas regiões onde o uso é mais antigo e as experiências têm maior veiculação nos instrumentos de divulgação.

Qualquer produtor, proprietário de uma área rural pode adotar o sistema? O que impediria sua implantação?

Qualquer produtor pode implantar o sistema agroflorestal. O que ocorre é que a maioria tem optado por sistemas agroflorestais de baixa a média complexidade (até três componentes interagindo na mesma área). Quando muito, os agricultores têm utilizado sistemas de alta complexidade biológica para recuperar sua Área de Reserva Legal. Os sistemas de alta complexidade têm sido ultilizados por agricultores familiares ligados a algum movimento social que tenha base na agroecologia. Portanto, não há impedimento e sim estratégias de utilização diferenciada.

 
Arquivo