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Como fazer o dinheiro durar mais na crise
Para os brasileiros que voltam do Japão, economista Savóia dá preciosas dicas de como fazer uma boa economia no País
 

Para definir o que se pode cortar, é
preciso saber para onde vão os gastos

(Texto: Susy Murakami/NB | Foto: Divulgação)

Existem maneiras de fazer com que o dinheiro na mão não seja vendaval. Esticar as economias depende de controle, organização e principalmente mudança de hábitos. Essa talvez seja a maior dificuldade para quem estava acostumado a receber um bom salário e tinha acesso a todos os últimos lançamentos em eletrônicos, carros e diversão. Ao retornar ao Brasil, essa não é mais a realidade do ex-dekassegui que, por isso, precisa se readaptar ao novo estilo de vida.

O primeiro passo para não ver o dinheiro escorrendo pelo ralo é ter domínio sobre as despesas. O planejamento financeiro pessoal não é uma técnica, mas sim um hábito. Quem dá as dicas é José Roberto Savóia, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP e coordenador de projetos da Fundação Instituto de Administração.

Para definir o que se pode cortar, é preciso saber para onde vão os gastos. A melhor maneira de se descobrir isso é anotando. Assim é possível distinguir os gastos fixos e começar a eliminá-los. Exemplo: “Se costumava sair duas vezes por semana e gastava R$ 50 em cada uma delas, passe a sair apenas uma”, recomenda Savóia.

É preciso também avaliar a real necessidade de cada serviço pelo qual se paga. A TV a cabo é um bom exemplo. As empresas podem fazer a opção por pacotes mais baratos. Trocar de supermercado pode representar uma economia de 5% a 8%. Em vez de comprar sempre no mesmo estabelecimento, ande mais um pouco e procure melhores preços.

O professor José Roberto Savóia defende a teoria de que é possível encontrar prazer nas coisas simples. Gastar pouco não é sinônimo de pouca diversão. Cozinhar em casa pode ser tanto ou até melhor do que comer fora. “Um casal pode trocar isso [comer em restaurante] por preparar o prato em casa. Assim, vão fazer o que gostam, juntos e se divertindo”.

Levar o filho a um parque público pode também trazer tanto prazer quando levá-lo a um parque de diversão caríssimo. A criança irá se divertir e gastará no máximo um sorvete.

 
Como fazer
Pense grande
A família vai aumentar em 2009? A faculdade vai entrar na sua rotina? Coloque tudo isso em uma tabela com os grandes gastos a serem feitos no ano. Divida-a em colunas para cada membro da família e marque o valor a ser gasto. Essa primeira tabela é geral, com despesas grandes, como compra de carro ou valores com educação. É importante tornar os números visíveis, para sentir as coisas se tornarem mais concretas.

Anote tudo
Se você está debutando, não tente adivinhar. No primeiro mês, apenas anote todas as suas despesas e analise o resultado no final. Seja o mais detalhado possível, anotando até as pequenas compras. Dessa forma, você poderá ter uma idéia certa dos seus gastos e se organizar melhor nos próximos meses. Se preferir, use um caderninho. Para os amantes do computador, a mesma coisa pode ser feita no programa Excel.

Estabeleça gastos
Separe o valor dos gastos fixos, como aluguel, contas, seguros e educação, e, com o resto, decida o que vai continuar e o que vai cair fora do seu orçamento. Esse é o momento de reavaliar suas despesas e decidir quanto você vai economizar por mês. Ao final dos 30 dias de observação, você saberá qual o seu gasto total de restaurante, cosméticos e roupas, por exemplo, e poderá escolher onde fazer cortes.

Fatie o salário
Com o pagamento em mãos, é hora de colocar na prática o seu plano para o mês. Coloque em envelopes o dinheiro para cada fim.

 
Dicas importantes
• Não leve os filhos às compras
Sempre que for possível, deixe seus filhos em casa na hora de ir ao supermercado. As crianças aumentam drasticamente as chances de você ceder e fugir da lista de compras.

• Inclua “verdes”
Nada de cortar os vegetais para enxugar o orçamento, afinal, comer balanceadamente também evita que você opte por suplementos vitamínicos. Muitos nutricionistas aconselham incluir os “verdes” na sua vida, passando a comer verduras refogadas, e não só folhas cruas. Temperando com gergelim picado, por exemplo, tudo fica bem mais gostoso. Para economizar tempo com o preparo da salada, pode lavar as folhas antes, até de um dia para o outro, desde que retire bem a água.

• Siga a lista
Só com ela você consegue comprar o que precisa e resistir às tentações do supermercado. Se você já tentou e não consegue fazer listas de jeito nenhum, outra saída é sair com um limite de dinheiro no bolso quando for às compras.

• Cozinhe em casa
Se você ainda não o faz, tente lembrar de tudo o que gastou com comida nas últimas 24 horas, multiplique pelo número de membros da sua família e, depois, por 30. O valor mensal pode ser um bom argumento na hora em que a preguiça de encarar o fogão bater.

 
Onde aplicar as economias
Existem algumas opções de investimentos que podem não render tanto como ações, mas são certamente mais seguras, principalmente em época de incertezas no cenário econômico. “O dinheiro que essas pessoas [ex-dekasseguis] trazem é um dinheiro para investimento, então deve ser protegido”, afirma José Roberto Savóia, que mostra três alternativas para aplicar o dinheiro.

1- CDB (Certificado de Depósito Bancário)
São títulos emitidos pelos banco e instituições financeiras. São considerados seguros e têm melhor rentabilidade do que a poupança. São mais indicados para quantias acima de R$ 50 mil. Para essa aplicação, procure uma instituição que seja sólida no mercado. Sites de bancos oferecem informações sobre os CDBs.

2- Tesouro Direto
Títulos Públicos adquiridos junto ao Tesouro Nacional. Mais indicado para investimento de longo prazo. A compra pode ser feita pela internet pelo site do Tesouro, mas é preciso estar cadastrado em um banco ou corretora habilitados no Tesouro Direto. O investimento mínimo pode ser de R$ 100 e a liquidez é diária.

3- Fundos de Investimento
Aplicação feita por investidores que formam um condomínio. Com os recursos, são adquiridos títulos ou são feitos investimentos em outros fundos. A administração é feita por instituições financeiras ou gestores de fundo. Abaixo de R$ 50 mil é mais competitivo do que os CDBs. É preciso, no entanto, estar atento à taxa de administração.

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