
Hojo
Hirooka, do Union Mie, diz que proposta de lei é um queijo
suíço e que empresas vão explorar brechas
|
(Foto: Alexander
Kanashiro/IPC)
O projeto de
reforma da lei que regula a contratação de terceirizados
(haken) continua causando polêmica e insatisfação.
A proposta enviada pelo governo ao Parlamento em março desagradou
sindicalistas de Aichi, Shizuoka e Tóquio. Eles acreditam que as
falhas do projeto podem ser exploradas pelas empresas.
Segundo Motoaki
Nakaoka, secretário da terceira maior central sindical do país,
o Zenrookyoo (Conselho Nacional Sindical), permitir a contratação
de terceirizados por cadastro (tooroku-gata), no caso de tradutores e
secretárias, é uma das falhas, pois abre espaço para
empreiteiras burlarem a lei.
Nakaoka lembra
que os sindicatos enviaram ao Ministério da Saúde, Trabalho
e Bem-Estar Social uma proposta que previa a responsabilidade trabalhistas
das empresas, além das empreiteiras, para onde os terceirizados
são enviados. O ponto foi ignorado pelo governo. Foi a pior
parte, critica o sindicalista, prevendo uma grande discussão
no Parlamento entre a bancada sindicalista e a dos empregadores.
Sobre os pontos
positivos, ele citou o que proíbe as empresas de entrevistar e
selecionar os trabalhadores enviados pelas empreiteiras. Nakaoka diz que
algumas empresas já estão deixando de lado as empreiteiras.
Elas estariam fazendo contratos diretos com prazo determinado (yuukoo
chokusetsu koyoo), mas ao, mesmo tempo, estariam ameaçando transferir
a produção para fora do país.
O diretor-geral
do sindicato Union Mie, Hojo Hirooka, concorda com o colega do Zenrookyoo.
Para ele, a nova regulamentação só acaba com a terceirização
no ramo manufatureiro. Mas há 26 profissões onde esse
modelo será mantido, alerta. Falaram que ele é
específico para quem trabalha no escritório, entre outros.
Na verdade, é uma fachada para facilitar o lado das empresas que
não querem efetivar funcionários, denuncia. Baseado
nisso, o Union Mie acredita que o sistema haken não deve mudar
em quase nada. As empreiteiras podem usar essa brecha, e o trabalhador
temporário vai continuar instável. É apenas maquiagem.
Na realidade, essa lei é um queijo suíço, cheio de
buracos, que não protege os funcionários. Assim, fica difícil
autuar as empreiteiras, conclui.
Segundo Hirooka,
os próprios japoneses acham que a terceirização
regular (jooyoo-gata haken) é sinônimo de estabilidade. Mas,
na prática, não é assim. Hirooka explica que
a palavra jooyoo dois significados. Um de uso cotidiano e outro na legislação.
No contexto trabalhista, jooyoo é trabalho normal, isto é,
que não existe prazo determinado de trabalho. Na legislação,
a situação é diferente dependendo da interpretação.
Se a empresa disser que há trabalho durante um ano, isso será
considerado jooyoo normal, mas será somente nesse período.
Então, na realidade, não é um trabalho normal ou
regular, e sim trabalho temporário, argumenta. Para o sindicato,
o sistema haken não deveria existir.
Na opinião
do sindicalista Francisco Freitas, presidente da Comissão dos Trabalhadores
Estrangeiros do JMIU (Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos,
Maquinários e Informática do Japão), a reforma não
produz avanços. O governo anterior queria dar três
anos para as empreiteiras se adaptarem às novas regras. Esses três
anos se passaram, fizeram lobby e o atual governo deu mais tempo,
lembra Freitas. As empreiteiras têm entre três e cinco anos
para seguirem o novo plano.
O sindicalista
esclarece que muitos trabalhadores continuam inseguros. Eu mesmo
tinha contrato de um ano, depois passou para seis meses, em seguida, três.
Em vez de progredir, regrediu, relata. Por isso, Freitas defende
o contrato direto e diz que as empresas não o fazem porque as autoridades
são omissas. E assim, as empreiteiras continuarão
explorando e mandando embora o trabalhador enquanto o governo não
resolver essa questão.
Para ele, o
problema são as empresas, e não as empreiteiras, pois se
as companhias desejassem contratar diretamente, não haveria nenhum
impedimento. Acontece que as empresas não querem responsabilidade,
não inscrevem o funcionário no Seguro Social, na aposentadoria,
no Seguro Contra Acidentes de Trabalho. Enfim, não querem assumir
responsabilidades sociais e jogam nas costas das empreiteiras. E quando
vem a crise, tiram 200 ou 300 trabalhadores das linhas de produção
e dizem que o problema é das empreiteiras, afirma.
Para o sindicalista,
as empresas continuarão a trazer mais kenshusei, trabalhadores
asiáticos que trabalham como se fossem estagiários e ganham
cerca de 500 ienes (R$ 9,52) por hora. O governo não pode
tornar legal a escravidão.
|